Cenário de julgamentos
históricos de réus políticos na ditadura militar, como a presidente Dilma Rousseff, o prédio da
antiga sede da Auditoria Militar em São Paulo será cedido para a OAB paulista e
o para o Núcleo de Preservação da Memória Política (NPMP) na próxima
segunda-feira.
As entidades querem instalar no local o "Memorial da Luta pela Justiça - Advogados Brasileiros contra a Ditadura", que prestará homenagem ao trabalho de advogados que atuaram na defesa de presos políticos durante a ditadura (1964-1985).
Propriedade da Superintendência de Patrimônio da União, o prédio está localizado na avenida Brigadeiro Luiz Antônio, 1.249, Bela Vista, e será concedido às entidades por um contrato de 20 anos, renováveis pelo mesmo período.
A concessão será marcada por uma cerimônia na próxima segunda-feira, com a presença de advogados que aturam no regime militar, como Rosa Maria Cardoso da Cunha, que defendeu Dilma e hoje coordena a Comissão Nacional da Verdade.
Além do Memorial, também funcionará no prédio as sedes da Comissão da Verdade da OAB/SP e do NPMP.
Segundo o
advogado Marcos da Costa, presidente da seção paulista da OAB, já há um projeto
prévio para o local, de autoria das museólogas Maria Cristina Oliveira Bruno e Kátia
Felipini, pelo arquiteto Marcos Cartum, pelo diretor do NPMP, Maurici Politi, e
pelo jornalista e produtor cultural Vladimir Sacchetta.
A Ordem pretende captar recursos via Lei Rouanet (de incentivo à cultura por renúncia fiscal) para viabilizar a reforma do prédio e instalação do memorial. A estimativa inicial é que as obras custem de R$ 2 milhões a R$ 2,5 milhões, mas o valor exato só será possível saber após análises de engenharia no prédio, afirma Costa. O objetivo, afirma o presidente da OAB/SP, é que o memorial seja inaugurado no primeiro semestre de 2014.
"A ideia do museu é termos um espaço para permitir que o cidadão compreenda o processo de resgate da democracia no Brasil, a importância do direito do cidadão, do direito de defesa e do papel do advogado naquele período", disse Costa.
"[O advogado] Foi o profissional que, solitariamente, se colocou à frente dos cárceres para garantir que houvesse direito de defesa daqueles presos políticos."
O local - incluso no tombamento do bairro da Bela Vista pelo patrimônio municipal - está fechado desde junho de 2010, quando a Justiça Militar foi transferida para a avenida Cásper Líbero.
Desde 1938, funcionaram naquele endereço as auditorias militares da 2ª CJM (Circunscrição Judiciária Militar), com jurisdição sobre todo o Estado de São Paulo.
Eram julgados crimes praticados por integrantes da Marinha, Aeronáutica e Exército. Após o golpe de Estado de 1964, crimes políticos também passaram a ser julgados ali, em sessões secretas.
Fonte: Folhapress
Foto: Marcio Fernandes/Estadão

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