Por Diógenes Basegio
Vivemos um momento
histórico em nosso país, onde o povo, liderado pela juventude, sai às ruas para
demonstrar toda sua insatisfação. Seja ela qual for, ou quais forem. E o vetor
de todas essas mobilizações são as redes sociais, a internet. A grande mídia à
reboque desta nova ferramenta que integra, aproxima e dá o direito a todos se
manifestarem deforma igualitária.
No bojo das
reivindicações, ouve-se um clamor por maiores investimentos em educação e por
um transporte público de qualidade e com valores mais acessíveis. Ouve-se falar
em impostos abusivos. Clama-se por uma reforma política. O movimento dos
trabalhadores sem-terra ainda espera a sempre falada, mas nunca concretizada,
reforma agrária. Nas grandes cidades, a demanda por moradias populares é
latente, a reforma urbana é cobrada dos governantes. O grito contra a corrupção
ecoa por todos os cantos.
Neste cenário,
fica impossível não lembrar do grande homem público que nos deixou em
21/06/2004, há exatos 9 anos: Leonel de Moura Brizola. Vamos tentar conectar as
demandas citadas com a prática do Governador Brizola? Acho válido o exercício,
vamos lá: muitos dizem que Brizola não foi Presidente do Brasil pela
insistência em denunciar os desmandos da gigante Rede Globo. Brizola era
atacado constantemente, sem possibilidade de externar seu ponto de vista. A não
ser num caso inédito e histórico como o direito de resposta lido ao vivo por
Cid Moreira no Jornal Nacional. Entendia o Governador que a grande oportunidade
de furar esse bloqueio e democratizar a mídia seria a internet, que ainda
engatinhava nos idos dos anos 90. Hoje estão aí as redes sociais comprovando
esta tese. Quando se comparam os investimentos feitos nos estádios para a Copa
do Mundo com o que é investido em educação, como não lembrar de Brizola? Quando
construiu 502 CIEP´s no Rio de Janeiro, ao lado de Darcy Ribeiro, foi execrado
pela grande mídia, pela direita e, pasmem, inclusive por setores da esquerda.
Era absurdo investir um milhão de dólares em escolas na periferia. Era absurdo
deixar as crianças em turno integral nas escolas enquanto houvesse déficit de
vagas. Dias atrás o Ministro da Educação, Aloizio Mercadante, indicou o ensino
de turno integral como o modelo a ser seguido. Com 30 anos de atraso, diga-se.
Mas antes tarde do que nunca.
E a mola
propulsora destes grandes protestos, a questão da tarifa do transporte público?
Serviço de má qualidade, com alto custo e que diminui a qualidade de vida dos
seus usuários. Quando Governador do Rio de Janeiro, Brizola decretou o Passe
Livre para os estudantes.
As reformas
política, tributária, agrária e urbana já eram a pauta do trabalhismo
brasileiro na década de 60, no Governo João Goulart. Brizola estava no
Congresso, como deputado federal, lutando pela implementação das Reformas de
Base. O que se seguiu, todos sabem: Marcha da Família com Deus pela Liberdade,
contra a “ameaça” comunista, contra a “ameaça” à propriedade privada. Resultado:
medo espalha do na população e... golpe de Estado! Passaram-se 50 anos, mas a
retomada destas bandeiras empolga, gratifica e ratifica a conectividade da
agenda trabalhista com as demandas do povo brasileiro. Outra bandeira empunhada
com vigor nas manifestações diz respeito aos inúmeros casos de corrupção
envolvendo a classe política, desmoralizando-a. Aqui cabe lembrar os 50 anos de
vida pública de Leonel Brizola, sem que nada, absolutamente nada, de ilegal
fosse encontrado. Sua trajetória é reta, sem máculas.
Não existe
democracia sem os partidos políticos. Mas espero que o extrato deste movimento
seja uma readequação na agenda e no modus operandi de nossas agremiações e de
toda a nossa classe política. Que voltemos a nos conectar com as ruas, com as massas.
Assim como Leonel Brizola sempre esteve conectado. Parafraseando-o, concluo:
“quando vocês estiverem em dúvida sobre qual rumo seguir, vá para onde o povo
está indo”.
Artigo
Deputado Estadual pelo Rio Grande do Sul, Dr. Diógenes Basegio

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