Por Láyra Santa Rosa
A onda de violência já tomou conta de Maceió,
e preocupa a toda a população. Afinal, morar na cidade que mais se mata no
país, tem um peso grande e assusta. Descrentes do trabalho da polícia, e como
forma de mostrar indignação, um movimento surgiu nas redes sociais, movimentado
o universo virtual com denuncias e desabafos. O B.O Coletivo Maceió, é uma
página no facebook, que já reuni mais de 3.500 pessoas, com o intuito de
denunciar o descaso na segurança pública vivido no Estado.
A página é formada por muitos relatos de
vítimas da violência, fotos de locais onde ocorreram assaltos, e ainda pela
distribuição de uma imagem que serve como marcador dos locais onde as pessoas
foram vítimas. “Isso ajuda que outras pessoas tomem conhecimento, que
determinado local é arriscado de ficar e também não sejam vítimas dessa
insegurança. É o tipo de denúncia que tem funcionado e já fez com que muita
gente marcasse os locais mais violentos da cidade”, contou o estudante Diogo
Moreira, criador do espaço.
A ideia surgiu em Porto Alegre (RS) e foi
copiada pelo estudante, que entendeu que um grupo como este poderia surtir um
grande efeito na cidade. “Assisti uma reportagem nacional, onde me deparei com
essa ideia de Porto Alegre. Vivendo numa cidade tomada de violência, onde quase
todo mundo foi assaltado ou conhece alguém que foi, entendi que um grupo como
esse poderia gerar um grande efeito. A ideia é gerar uma cobrança para que os
gestores entendam que existe insegurança por toda a cidade e que algo precisa
ser feito”, afirmou.
Em menos de 15 dias do lançamento do B.O
Coletivo Maceió, a página virtual já tinha mais de 1500 participantes, em um
mês esse número mais que dobrou. “As pessoas estão carentes de segurança, e
acreditam na impunidade. No grupo elas colocam para fora a experiência que
viveram, e dividem suas histórias na tentativa de que outras pessoas também não
sejam vítimas. O grupo é um incentivo para que as pessoas não fiquem caladas e
denunciem”, explicou.
Além de dividir seus relatos, como
verdadeiros Boletins de Ocorrências (B.O) feito pela polícia, a vítima da
criminalidade também pode imprimir um cartaz, com o símbolo de um alvo, para
colar no ponto onde foi assaltado. “Desta forma estamos chamando a atenção das
outras pessoas, e mapeando as áreas violentas da cidade. Muita gente já
imprimiu a cartaz e espalhou. As pessoas acabam vendo o aviso, e evitam ficar
num lugar violento”, comentou Diogo Moreira.
O estudante disse ainda, que a ideia
principal do grupo é que o Governo do Estado se mobilize e entenda que a
sociedade não suporta tanta insegurança. “Está difícil sair em Maceió e não ter
medo. Essa é uma forma de protestar pacificamente para essa insegurança, e
mostrar ao Governo que é preciso uma mobilização geral. A sociedade não aguenta
mais isso”, falou.
Fonte: Jornal Correio de Alagoas
Foto: B. O Coletivo

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